terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OXUM

A VÊNUS MULATA BRASILEIRA



Oh, deixe-me deliciá-la

com minha beleza

de modo que o olho possa dançar de alegria

deixe-me seduzi-la com perfumes

para que você inspire prazer

deixe-me excitar seu paladar

até sua língua tremer

deixe-me acariciá-la com um som

que faça seus ouvidos zunirem

deixe-me tocar o seu corpo

com a música da cachoeira

e adornar sua beleza com

braceletes dourados e mel e perfume

e quando estiver tudo feito

quando todos os seus sentidos tiverem sido despertados

quando seu espírito celeste se unir de modo jubiloso

com seu corpo terrestre

então você conhecerá a sensualidade.







OXUM, a Deusa abrasileirada da macumba e das águas (rios, riachos, cachoeiras, fontes), é conhecida por seu amor por tudo que é belo. Ela gosta de se enfeitar, especialmente com as cores amarela e dourada. Gosta de ritos em ambientes aquáticos, que incluam homenagens com mel e dinheiro (moedas de cobre). Seu colar de búzios simboliza seu conhecimento e poder de adivinhação.



Esta Deusa, viveu intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina-moça faceira, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos.



A Deusa-amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada, afinal o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a Deusa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto a Divina Mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”.





O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Estas mulheres são símbolos do charme e da beleza, pois carregam o dom especial de sua Deusa. Elas andam e dançam dos modos mais excitantes e provocantes. No seu caminhar está o fluxo do rio. Ninguém consegue escapar de seus encantos.



Oxum é a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescante. Jovem e bela mãe, mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer.



Vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual consciente de sua rara beleza e se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos. Com Oxóssi, vive seus momentos mais felizes.



Oxum é um dos orixás de maior força no Brasil e contradiz as tradições africanas que exaltam mais os poderes dos orixás masculinos. Todos seus filhos são atrativos e têm facilidade para formar famílias unidas. Diplomáticos e cuidadosos, medem muito bem o que falam e evitam os atritos frontais, sempre tratando de seus interesses com cuidado e sutileza.



Ela está sincretizada por Nossa Senhora Aparecida. Seu dia é 8 de Dezembro.



Seu símbolo é um seixo polido pelas águas dos rios, pequenos espelhos ou um abano decorado com o desenho de uma sereia. Seu apetrecho, é de louça aporcelanada, um hidé, três conchas dilonga, quartinha e branca.





Suas filhas usam colar de latão amarelo-ouro, pulseiras largas, cores douradas. Elas andam e dançam dos modos mais provocantes e excitantes. No caminhar está o fluxo rio.





ARQUÉTIPO DO AMOR-GUERREIRO



Oxum, corresponde ao arquétipo grega Afrodite e como ela é um "Sol Glorioso" que permanece brilhando em nossa cultura. Ser abençoada por Oxum significa que a mulher sentirá plenamente à vontade com sua sexualidade e cultivará a vaidade e a beleza como atributos femininos cheios de poderes.



É através de seu espelho de duas faces que Oxum toma consciência de sua sensualidade. Ao ver sua imagem refletida, a consciência de si nasce. Entretanto, o espelho serve também, de escudo e arma que pode cegar ou aprisionar com seu reflexo.



Oxum, como Afrodite, usa seus atributos femininos para conquistar os homens, mas as mulheres que possuem o arquétipo de Oxum muito ativo, são volúveis e inconstantes e gostam de estar sempre atrás de coisas novas e imprevistas. Como a Deusa, a mulher-Oxum não gosta de criar raízes, pois vê a vida como uma aventura, preferencialmente com um final romântico. Escolherá sempre homens sofisticados, instruídos e com bom saldo no cartão de crédito, pois ela adora roupas finas, cabelos esvoaçantes, jóias e muitos adornos.

Mas, acima de tudo, em todos os seus relacionamentos, a mulher-Oxum coloca o "coração".





Sua beleza física e interior pode ser um passaporte para muitos mundos, mas também sobrevém-lhe uma palpável alienação. Uma vez que muitos homens a desejarão pela beleza física e as mulheres a odiarão pelo mesmo motivo, muitas vezes a mulher-Oxum poderá duvidar do seu real valor.



Graças ao seu talento em manobrar os sentimentos e os projetos criativos no homem, a mulher-Oxum pode despertar o "anima" (princípios femininos) do homem. Quando o homem começa a entrar em contato com a sua "anima", a mulher-Oxum passará a ser sua musa inspiradora, ajudando-o com novas idéias e trabalho criativo.



A Deusa-Oxum herdou ainda, as qualidades guerreiras da Deusa grega Ártemis, qualidades essas, possivelmente decorrentes do meio em que vivia e de ter sido casada com um Deus da Floresta e da Caça, com quem teve um filho. Como Deusa-Guerreira, Oxum protege os rebentos dos animais e as crianças humanas.



Como guerreira, Oxum desenvolve seus princípios masculinos "animus", despertando-lhe um amor intenso pela liberdade, pela independência e autonomia. Oxum passa então a ser "A Bela que é Fera", pois brigará e lutará para preservar sua liberdade. Engolindo suas lágrimas, ela seduzirá seus adversários, planejando vinganças pelas humilhações que lhe fizeram passar.





A energia arquetípica da associação Ártemis-Oxum fazem com que as mulheres se sintam perpetuamente jovens, não permitindo que percorram o caminho que as conduzirão à maturidade. Esse é um período importante, pois é a essa altura da vida que nos permitimos ajustes e adaptações. Entretanto, a mulher Deusa Oxum, amante da natureza e de sua liberdade psique, terá muita dificuldade de descobrir que ela é, se não se permitir amadurecer.



A maior chaga da mulher-Oxum é a dor da alienação, pois muitas vezes ela sentirá desprezo por valores e formas da sociedade convencional. Ela se sentirá magoada com nossa sociedade patriarcal que não consegue conter a ferocidade de seu espírito e nem reconhecer plenamente seus belos dotes de mulher.





Dia da Semana: Sábado



Cores: amarelo ouro. Seu número é 5



Animal: Arara



Comida: feijão fradinho com cebola e camarão (omolocum)



Habitat: água doce, fontes, rios, cachoeiras.





AMALÁ DE OXUM



7 velas brancas e 7 amarelo claro, água mineral, canjica branca, fitas amarelo claro e branca. Local de entrega ao lado de uma cascata.


ERVAS



Erva Cidreira – Gengibre – Camomila – Arnica –Trevo Azedo ou grande- Chuva de Ouro – Manjericona – Erva Sta. Maria – Gengibre – Calêndula.





ESSÊNCIAS



Angélica, jasmim, valeriana, dama da noite, gardênia, crisântemo, pêssego, ameixa.

Oxum é o nome de um rio em Oxogbo, região da Nigéria. É ele considerado a morada mítica da Orixá.





A LENDA





Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro. Como o cargo de oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.



Oxum então seduziu Exu, que não pôde resistir ao encanto de sua beleza e pediu-lhe roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca das Iyami Oshorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim pedir também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam provocar Exu há tempos, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam que Exu já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas a fazer inúmeros feitiços em troca de que a cada um deles elas recebessem sua parte.



Tendo Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o Deus da adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios com que até hoje as mulheres jogam. Oxum representa, assim a sabedoria e o poder feminino.





Em agradecimento a Exu, Oxum deu a Exu a honra de ser o primeiro orixá a ser louvado no jogo de búzios, e entrega a eles suas palavras para que as traga aos sacerdotes. Assim, Oxum é também a força da vidência feminina.



Mais tarde, Oxum encontrou Oxóssi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e floresta tiveram então um filho, chamado Logun-Edé, a criança mais linda, inteligente e rica que já existiu.



Apesar do seu amor por Oxóssi, numa das longas ausências destes Oxum foi seduzida pela beleza, os presentes (Oxum adora presentes) e o poder de Xangô, irmão de Oxóssi, rompendo sua união com o Deus da floresta e da caça. Como Xangô não aceitasse Logun-Edé em seu palácio, Oxum abandonou seu filho, usando como pretexto a curiosidade do menino, que um dia foi vê-la banhar-se no rio. Oxum pretendia abandoná-lo sozinho na floresta, mas o menino se esconde sob a saia de Iansã a Deusa dos raios que estava por perto. Oxum deu então seu filho a Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a partir de então, sua esposa predileta e companheira cotidiana.





O CHAMADO DE OXUM



OXUM, aparece sedutoramente em sua vida e adula você para lembrá-la de reverenciar a sua sensualidade. A totalidade é alimentada quando você concentra sua atenção e seu tempo no corpo, respeitando e dando espaço aos sentidos e à sensualidade.



Oxum está aqui para dizer que é hora de assumir sua sensualidade sem culpa.



Sua influência nos inspirará quando estivermos em busca de uma atitude mais independente em relação ao amor, além de aumentar a nossa auto-estima.



Os rituais de banho são os que mais nos favorecem quando desejamos refletir profundamente sobre um assunto sentimental.



Realize seus rituais de banho sempre na Lua Nova ou Cheia.





BANHO DE OXUM



Ache um tempinho para cuidar de si mesma e relaxar com o banho de Oxum. Coloque um fundo musical baixinho. Acenda uma vela amarela no banheiro, de modo a tornar o ambiente suave e agradável. Antes de entrar no banho acrescente algumas das ervas de Oxum e algum óleo na água para ficar envolta em sua fragrância.



Entregue-se à sensação prazerosa do calor da água, sentindo eliminar toda a tensão de todos os pontos de seu corpo, substituindo-a pela descontração e receptividade. Boie na água, aquecendo-se no calor, no aroma e na música. Feche os olhos e respire fundo.





Sinta o prazer! Sinta-se à vontade, sinta-se grata pelos dons do corpo e dos sentidos. Fique neste estado de relaxamento o tempo que quiser. Quando terminar o banho, passe um óleo natural no corpo. Sopre a vela agradecendo a Oxum.



Troque a roupa de cama e vista uma camisola amarela para continuar recebendo a energia da Deusa Oxum durante toda a noite.



"Eu vi Mamãe Oxum na cachoeira sentada na beira de um rio colhendo lírios, lírio ê colhendo lírios, lírio á colhendo lírios pra enfeitar nosso congá."





ORA IEIÊ Ô!!!

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A Editora faz a editoração do livro, isto é, ela faz a diagramação do texto, providencia (ou ela mesmo faz) a composição do texto, a revisão e o desenho da capa, além da distribuiçao do livro no mercado livreiro, quando não o entrega a uma Distribuidora.

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Alice ao Quadrado =

“A gente se sente assim como se fosse um passarinho
dentro de uma gaiola. Você vê as nossas crianças falando
nossa linguá, eles cantam, o nossa pajé, ele tem o canto
da religião, então, esse canto é pra nossa sobrevivência.
Até o passarinho que tá dentro da gaiola, quando ele canta
a gente não sabe se ele tá cantando, se tá chorando, se
ele ta pedindo socorro, mas o dono desse passarinho ele
fica contente quando esse passarinho se movimenta, ele
não sabe se ele ta alegre ou não. O nosso som é de um
apelo que eu faço, não é de alegria”. * 1:01:09



Amarelo


“Amar é lo, amar é la, amarelo”...
“Amar ela em amarelo”....


Ela gosta da cor amarela. Da pra saber muito sobre uma pessoa pela sua cor favorita.
Alice, menina, você está prestando atenção na aula? Está acompanhando a leitura?
Estou sim professora.
Então continue você a ler agora.
O pensamento de Alice vagava longe das páginas do livro de história, já havia perdido o meado da leitura.
Está vendo só, você nem sabe onde parou.
Me desculpe professora.
Vamos, procure o terceiro paragrafo e continue... vamos...
Está no terceiro parágrafo, vamos, continue....
Sim, é... A chegada dos Europeus à América, no séculooo...?
Século quinze Alice.
Isso, no século XV, significou o inicio da destruição da maioria das organizações sociais, culturais e politicas existentes. Os chamados conquistadores confiscaram as terras indígenas, sua liberdade e, muito frequentemente, suas vidas. Mais da metade dos cerca de 80 milhões de ameríndios que então se distribuíam por todo o continente acabaram mortos em pouco menos de um século de colonização. No Brasil, dos aproximadamente 3,5 milhões de índios em 1500, restam atualmente pouco mais de 200 mil indivíduos.
Além da submissão à exploração colonial, dos sucessivos confrontos armados e da expulsão de suas terras, os indígenas também foram destruídos pelas doenças trazidas pelos conquistadores. Como não possuíam qualquer residencia às enfermidades desconhecidas na América, as contaminações por gripe, sarampo, catapora, pneumonia, varíola, entre outras, foram amplas e dizimadoras entre os nativos. Neste aspecto, antigas e novas doenças introduzidas ao longo da história brasileira fizeram e continuam fazendo vitimas entre os indígenas.
Os conquistadores europeus, portadores de uma tecnologia superior e dotados da ambição comercial, impuseram um verdadeiro morticínio às populações nativas, tomando suas terras, seus domínios comuns e seus corpos, transformando-os em integrantes do projeto explorador, seja como escravos, o que foi mais comum, ou como associados, submissos ou não.
Corporificando um verdadeiro genocídio dos ameríndios, a ação europeia não sofreu variação substancial em todo o continente, realizando-se tanto nos domínios espanhóis como nos lusos, ingleses, franceses e holandeses. No máximo deu-se uma diferenciação de números absurdos no extermínio e quanto ao processo de efetivação da conquista, mantendo a qualidade violenta e dominadora do sistema de explorador europeu.
No Brasil, passo a passo, as populações indígenas foram sendo empurradas para o interior, assimiladas ou exterminadas pelos conquistadores. O processo teve inicio no período colonial, manteve-se pela fase imperial e continuou pelo período republicano, não sendo raro na SUAVIDADE.
- Atualidade Alice, atualidade.
- Isso professora, atualidade.* (História do Brasil, Claudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo).
De repente ouve-se um grito que parecia vir do banheiro!!! Ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Alice, conquanto não tirando os olhos da professora, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos.
- Professora... Murmurou ela daí a alguns minutos.
- Co... con... continue a ler menina.
A menina compôs-se e continuou a ler em voz mais alta; estava com medo. Começou a variar de atitude, agitando-se à toa, coçando os joelhos, o nariz. E o grito estendia-se pelos corredores da escola... Ninguém se movia...
- Alice!...
- S... i... m... sim, professora! Respondeu ela com voz trêmula.
- Venha cá! Bradou a professora.
A professora fitava a menina com seus olhos diabólicos.
- Levante-se!!!
Alice estremeceu como se acordasse de um sonho, e levantou-se às pressas.
- Vá você ver o que está acontecendo...
A meniana não obedeceu logo, mas também não pode negar nada. Já tinha sacado que a vaca da professora tava putinha com ela só por que ela não acompanhou a leitura. Era dessas professoras que não dava limites pras suas atitudes exussentes(tas).... Mesmo tremendo muito, a menina foi.
- Nonononononove, 10... 11, 12, 13...
Alice contava seus passos como se fossem os últimos passos de sua vida... Abriu a porta rapidamente e parou diante do grito que enterrou-a pela consciência dentro um par de olhos pontudos.
A três meses atrás, Alice havia se relacionado com uma garota muito bonita de cabelos loiros. A garota tinhas aproximadamente 15 anos. Ambas sempre planejavam maneiras de matar aula para se encontrarem. Uma delas era se encontrarem no banheiro da escola, pois não havia nada de estranho duas garotas frequentarem o banheiro de escola.
Porém um dia, um acidente terrível aconteceu. Em um desses encontros, a garota por quem Alice se relacionava, escorregou no piso molhado do banheiro e bateu seu queixo no chão. Ficou em coma e pouco tempo depois veio a morrer.
A morta não se conformou com seu fim trágico e prematuro. Sua alma não quis descansar em paz e passou a assombrar os banheiros das escolas.
Alice ao vê-la em alma assustou-se em entender...
- Você me reconhece Alice?
-Sim.
-Voltei pra te buscar, pra vivermos aquilo que é só nosso....
-Você vai me matar?
-Não, basta você executar um ritual. Se o fizer vamos para um lugar nunca visto e nem imaginado, um lugar inventado por nós, por suas músicas e minhas história e poesias....
-Me diga logo essa fórmula.
-Para isso você precisa anotar a formula química escrita na lousa do terceiro ano. Para a grande travessia a nossa Deusa Mãe Terra suplica pela formula responsável pela transcendência do universo.
Alice sem pestanejar foi as pressas até a sala que ficava ao lado da sala de história. Teve de passar por ali sem que a percebesse. Conseguiu e chegou a sala. Anotou a formula e saio cambaleando. A professorinha desta vez estava na porta e viu Alice passar.
-Por que demorastes tanto menina? E os gritos, de quem era?
-Da loira do banheiro professora.
-Loira da onde?
-A loira do banheiro professora.
-A menina não me venha com história e entre já na sala.
-Mas professora preciso levar a formula para ela.
A professora toma a menina pelos braços e faz ela entrar a força e as pressas. Não demorou nem mais dois minutos e os gritos recomeçaram dessa vez mais agudos fazendo com que todos da sala tapassem seus ouvidos.
-Tá vendo só professora, tenho de levar a fórmula, caso contrario ela não parará de gritar.
-Quieta Alice, sente-se!
-A sua pomba gira eu to cansada das suas esterismos, vou sair mesmo que vou não queira, sai da minha frente.
E Alice foi na mais lindas das valentias, tava querendo urgentemente do o pé com a morta. Já tava de saco cheio de seu pai, que desde que o conhece por gente vive a resmungar. Tava cansada da escola, dessa forma de ensino engessada. Dos seus amigos que só falavam de Funk Carioca, Chico Buarque e Malhação, é, tava cansada da televisão, a menina não via a hora das emissoras entrarem em guerra, essa seria a novela mais real brasileira.
- Alice, porque demorastes hem? Temos pouco tempo flor, a passagem pelo portal tem de acontecer antes do sol do meio-dia. Você trouxe a formula?
Trouxe sim, taqui, na palma da minha mão.
- Muito bem, então valos lá.
No momento que a morta iniciava as explicações para a rito de passagem, uma transferência esquisita sintonizava chiados arthonianos por sua voz.
- Só um minuto, parece está chegando um noticiário (toca aquele sinal de noticiário de tragedia da globo e abre-se uma televisãozinha em imagem cibernética real).
!!!Recor bombardeou a globo. Estamos presenciando mais um dos terrorismos televisticos brasileiros”....
Bom, vamos logo antes que explodam o planeta terra. Terás de realizar um ritual ok. Aperte a descarga por três vezes e chute o vaso sanitário com força. Depois disso diga em voz vem alta a fórmula que anotou em sua mão.
Ambas diminuiram e cairam dentro da privada descendo descarga a dentro... posso trazer comparações de quando Alice cai na toca do coelho...
Nossa quanta merda, que fedo é um rio de merda. É aqui que é o paraiso, onde vamos viver o nosso amor lindo? Socorro é um pântano de merda. Socorro, tem alguém que posso me ajudar, eu não estou conseguindo respirar.

Alice, Alice, acorda Alice, tá na hora de ir pra escola... Vamos acorda.... Alice

Ela acorda ofegante, dizendo que havia tido um sonho daqueles.... Que estava morrendo afogada num rio de merda.
A mãe diz que foi só um pesadelo e que merda significa coisa boa, pois é fazendo merda que se aduba a vida...

Ela então vai pra escola e era dia de eleição pra eleger qual a chapa do grêmio iria ganhar. Alice era a vice-presidente e o nome da chapa era: AUREA – Alunos Unidos Revolucionando a Escola....

Ela diz pra um de seus amigos que havia passado por um realejeiro na porta da escola que se dava o nome de Teotônio, ele tirou a sorte pra mim,mas não deu pra ler quase nada pois o periquitinho rasgou o meu bilhetinho e como já havia escutado o sinal bater não tive tempo de tirar outro.... ele contou uma história meio maluka sabe.... trazer a história dele pela Alice mesmo.... to sem meus horários aqui, que aula que é agora?
É aula de história.
A, é verdade e depois é aula de geografia...
Alice pois-se a suspirar.
Fiz uma musica nova, escuta só:
Copo d'água da chuva que colhi
Praquela flor que você tanto gostou
Meu amor dentro dela desabrochou
calado, camuflado e o meu amor
vou te da-la

Bem me quer, mal me quer
Mal me quer, bem me quer
Aquela,pétala que você arrancou
Que carrega a sua favorita cor
foi com ela parte do meu amor
Calado camuflado é o meu amor

Bem me quer, mal me quer
Mal me quer, bem me quer * (Musica ? Do cd de composições de aline reis e do documentário Encantos Urbanos à Margem da Memória 00:00???...)

- Ih Alice, se ta apaixonadinha é? Por quem, posso saber?
Ah, é um amor amarelo... Diz Alice suspirando.
Ih!!! Trouxe as urnas de papelões pra gente colocar os votos.
Legal. Não vamos esquecer de passar as listas de baixo assinado contra a Alca pra galera que vier voltar, assim a gente mata dois coelhos numa paulada só. Vai vir uns militantes do PSTU pra ajudar a gente.
Maravilha, eles realmente veem!!!! Vem, vamos logo pra aula, a professora acabou de entrar na sala.
Lá ela tem uma aula que fala sobre o cacau....

Eu e a Anninha

Saudades!!!!

Carranca

Zé Delmo

Por Zé Delmo




Como vocês sabem, no ano cristão de 1500, os portugueses chegaram aqui, viram essas lindas praias brasileiras e, três décadas depois, dividiram a costa brasileira em lotes. Por quê? Assim que chegou a notícia que os navegantes lusos haviam descoberto uma nova terra (ou melhor, invadido uma nova terra, uma vez que aqui já era habitado por índios) os piratas franceses, os corsários, começaram a freqüentar essas praias. Traziam miçangas, panos coloridos, punhais, machados, davam para os nativos e os nativos, em troca, davam o pau-brasil. O rei de Portugal, D. João III, ficou preocupado. E o que fez? Tratou de povoar. Dividiu o Brasil em quinhões e os deu para os soldados que atuavam na Ásia, os ricos do reino e os nobres da corte. A nossa capitania, Capitania dos Ilhéus começava na ilha de Tinharé, uma ilha que nós temos aqui, ao Norte, perto da cidade de Valença, e se estendia até o local onde se ergue a bela cidade de Canavieiras, ao sul.

... cinqüenta léguas de terra da dita Costa do Brasil e que começarão na ponta da Bahia de Todos os Santos da banda sul, e correrão ao longo da Costa dito Sul quando couber nas cinqüentas léguas se estenderão, e será de largo ao longo da Costa, e entrarão, na mesma largura pelo sertão, e terra firme adentro quanto poder entrar, e for de minha conquista, com todas as ilhas, que houver até dez léguas ao mar da fronteira digo na fronteira e demarcação das ditas cinqüenta léguas...
(Fragmento da Carta de Doação. In: BARBOSA, Arléo. 2003).

Essa grande faixa de terra, o rei de Portugal doou para um fidalgo da corte, o escrivão da Fazenda Real Jorge Figueiredo Correa que - nunca veio aqui - mandou um tenente espanhol chamado Francisco Romero tomar conta. Francisco Romero saiu de Portugal no ano de 1535, do Rio Tejo, e foi direto, com os colonos, para o Morro de São Paulo, ilha de Tinharé. Ficou um ano por lá e fundou um povoado. Depois de um ano, desgostou-se do lugar, bateu em retirada e veio para essa localidade, banda sul da capitania, onde fundou, no outeiro de São Sebastião (um morro atrás da catedral do mesmo nome), lá no seu alto, a Vila de São Jorge dos Ilhéus, em homenagem ao Santo guerreiro, São Jorge e em bajulação ao dono da capitania, Jorge de Figueiredo. Os colonos que vieram com Francisco Romero fizeram amizade com os índios tupiniquins; tidos como mansos, caçavam, pescavam, cultivavam, viviam na beira da praia. Esses índios ajudaram os colonos a implantar seus engenhos e seus canaviais. A capitania prosperou; ficou sendo a fazenda mais rica do rei de Portugal. Logo depois, os colonos quiseram escravizar os índios e os índios, então, se revoltaram, incendiaram as plantações de cana-de-açúcar e mataram alguns senhores de engenho. Desses senhores, os que restaram subiram o morro e ficaram um tempo por lá, amoitados, cercados pelos naturais. Até que uma noite, um desses senhores fugiu e foi a Salvador pedir ajuda a Mem de Sá, o então Governador-geral do Brasil. Mem de Sá veio com os soldados. Desembarcou na praia e adentrou a mata e arrasou todas as aldeias possíveis da região. Foi tangendo os índios até a praia do Cururupi, uma praia que nós temos ao sul, antes do povoado de Olivença. Ali foram afogados centenas de índios. Tiveram medo das armas de fogo e entraram no mar e, quando o mar secou, a praia ficou repleta de corpos de índios. Padre Manoel da Nóbrega viu a batalha, conhecida como Batalha dos Nadadores, Guerra dos Ilhéos ou Martírio do povo Tupinambá. 1559. E José de Anchieta, o jesuíta do Brasil, fez um poema épico, não em homenagem aos índios, mas em homenagem a Mem de Sá, por esse e outros tantos massacres feito por ele aos povos brasileiros.
Oh, grande Governador lusitano
[Irás] impor santas normas a uma raça indomável?
essa raça selvagem, sem a menor lei
(José de Anchieta. 1970)

Mas a guerra continuou. Outra tribo, Aimoré, conhecida também como Botocudo, continuou a guerra contra os invasores. A capitania decaiu, ficou pobre, dois séculos e meio de guerra. Nesse período, impossibilitados de investirem como antes em seus engenhos e canaviais, os ilheenses, como já eram chamados os moradores da vila, passaram a viver somente da extração predatória da madeira: pau-brasil, ipê, jacarandá, jequitibá, massaranduba, oiticica e tantas outras tantas madeiras de lei que existiam na região.
Veio, então, o advento do cacau. Como talvez vocês todos saibam, o cacau não é da nossa região; é do Amazonas, do Pará. O cacau é originário da América do Sul e da América Central: Peru, Amazonas, México. Aos astecas, os índios mexicanos, já tomavam o chocolate dois mil anos antes de Cristo, era uma bebida divina, bebiam em seus rituais e era servida em taças de ouro. Mas o nosso cacau veio do Pará. Quem trouxe? Os jesuítas, por volta do século XVIII. Corre pela região, a história que as primeiras sementes foram trazidas para cá, do Pará, por um colono francês chamado Luis Frederick Warneau, que as deu a um colono português o qual atendia pelo nome de Antônio Dias Ribeiro. Ela as plantou, na sua fazenda, à margem esquerda do rio Pardo.
Mas o certo mesmo é que as primeiras sementes de cacau vieram do Pará para a região sul da Bahia, onde foram plantadas, inicialmente, ao lado da casa grande. Vieram os primeiros pés e os primeiros frutos; depois, começou a nascer o cacau na mata sem que os colonos o tivesse plantado. Como? perguntaram-se os colonos. O macaco jupará (que não é macaco, mas assim é conhecido popularmente) quebrou o coco do cacau, provou o mel dos caroços e engoliu-os inteiros e, nas fezes, saiu cagando pela mata. Ao macaco, o título regional de “Semeador do Cacau”. O rei de Portugal ficou sabendo que a região sul era boa para o plantio de cacau. Incentivou o seu cultivo, tanto que, em 1780, já tínhamos por volta de seiscentos pés plantados na propriedade de Ferreira Câmara, nas proximidades de Caeté.
Mas quem plantou as primeiras grandes roças de cacau na região foram os alemães, no início do século XVIII. Alguns deles, liderados por Pedro Weyll, fugiram das guerras religiosas na Alemanha vieram para cá. Aqui, ao norte de Ilhéus, nós temos um rio chamado Rio Almada; desemboca dentro da cidade e dá acesso à Lagoa Encantada, um lugar belíssimo de se ver: cachoeiras, cascatas e um povoado. O povo conta a lenda de caipora, mula-sem-cabeça, almas de jesuítas, cantando por sobre as águas da lagoa em noite de lua. Ali, ao redor da lagoa de quase cinco quilômetros de diâmetro e nas margens do Rio Almada, os alemães plantaram suas fazendas de cacau. Prosperaram. Mas quem deu a cara a essa região, de região cacaueira, foram os retirantes da seca de Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Por volta de 1860 a 1890 recebemos uma grande leva deles. Adentraram a mata e botaram suas roças de cacau. Prosperaram.
A Europa fria e os Estados Unidos já acostumados ao consumo do cacau da América Central, aderiram ao nosso. O preço subiu e todos por cá, viraram coronéis, coronéis do cacau. Homens poderosos, ricos, ostentosos, construíram o Teatro Municipal, a Catedral de São Sebastião, a Prefeitura de Ilhéus, escolas, igrejas, trouxeram estrada de trem de ferro. Fundaram povoados, vilas e cidades. Criaram uma civilização chamada “Civilização Grapiúna”.
E então! Esses coronéis ricos e construtores usavam também o caxixe, que na nossa língua regional significa logro, trapaça, engano. Usavam também o jagunço, para tocaiar os mais fracos e tomar suas terras boas de plantações. O certo é que a gente pode definir esses coronéis com um discurso mais ou menos assim:

Joana! Catumbira!Zefinha! Os desgramados desses empregados nunca estão por perto quando a gente mais precisa deles e ainda vem o safado de Bastião me pedir pru mode d´eu sotá uma professora para ensina os fios dos trabaiadô e os trabaiadô pra lê e escrevê. Eu quero lá saber de fio de trabaiadô e trabaiadô meu sabidinho? O que eles tem mesmo de aprender é fazer um x nos quadrinhos dos nossos políticos,nos tempos de eleição. E quem votá errado leva uma surra de umbigo de boi. Ciência? Estudo? Isso é coisa pra fio de coroné. Fio de coroné tem de ser advogado, dotô, homem de justiça, home da lei, como sempre disse meu amigo e cumpade, o sinhô excelentíssimo e digníssimo coroné Badaró, pru mode da gente perder o tiro na tocaia, por desacerto do destino, a gente ganha a roça do surareiro adonde? Na justiça. E eu digo mais: mió do que advogado, juiz, home da lei só mermo político. E político safado, sabichão! Eu mermo tenho um primo que é prefeito aqui numa cidadezinha da região, lá onde o vento faz a curva, um cu do mundo, mas dinheiro de montão. Eu tenho um irmão que é senadô, logo logo ele vai se tornar governador da Bahia. Cum nosso curra eleitorá então! Aí, sim, é que o caxixe vai rolar direitinho pru lado dos mais sabido, nós, os coroné de cacau. Se hoje eu não enxergo o fim das minhas roças de cacau, de tão grande que são, fora os piquetes que eu coloquei na mata, imagine amanhã com meu irmão governadô. Se hoje eu acendo charuto com nota de cem réis e enfiu moeda nos peito e nas bunda das quengas lá no Bataclan de São Jorge dos Ilhéus, imagine que safadeza num me aguarda o futuro cum meu irmão governadô da Bahia. Oi, mais deixa de cunversa cum o tempo, pru mode dele num se revoltá cum a gente e mandar uma vassoura-de-bruxa montada no tempo. Eu vou é lá no Bataclan vê se Maria Machadão, minha quenga preferida, já tomô banho e ta cheirosa mermo.
(DELMO, José. 1985)

Por volta de 1950, a região começou a entrar em crise. A falta de investimento em tecnologia fez o nosso cacau cair de qualidade. A África plantou cacau, concorreu com a gente e o preço baixou.
Como se não bastasse, no final da década de 1980, apareceu o primeiro foco de vassoura-de-bruxa na região, em uma fazenda da cidade de Camacan. De repente, o broto de cacau começa a ficar aparentemente viçoso. Nascem umas coisas parecendo uma vassoura, daí o nome vassoura-de-bruxa. Tem um pozinho, o vento bate e vai passando de pé de cacau para cacau, de roça para roça, região para região. Quando não seca por inteiro o pé de cacau, o fruto seca e os caroços ficam podres.
Os poucos coronéis, que ainda existiam na região, foram à falência. Em vez de tomarem champanha francesa, como faziam antigamente lá no Bataclan, passaram a tomar cachaça, no corote, lamentando a vida.

Pra que viver em fim de vida? Só mesmo para ficar o dia inteiro amassando os passos da amargura, muita dor e tormento. Certo que o sol queime os cacaueiros nos anos de verão forte e faça gerar as grandes crises por falta de safra, coisa que ultimamente tem acontecido. É, é esse vexame a bater de porta em porta despejando sem cessar sua carga de desgosto até em grande fazendeiro. Isso até que se suporta com certo conformismo, o que se pode fazer quando a ingratidão vem por parte do tempo? Nada, nada mesmo. Nada se pode fazer quando tudo é desacerto sob os passos desse calmo e avantajado boiadeiro. O tempo. O TEMPO.
(MATTOS, Cyro. 1981, p. 59)

Agora falemos do trabalhador rural, homens de calos nas mãos, que cria as lendas, as histórias, as fantasias e fez a nossa cultura forte. Ele pega o podão e tira o cacau do alto, o cacau cai no chão. A roça fica toda coberta de coco de cacau, fruto de ouro, como chamavam. Depois o trabalhador pega o caçuá, põe nas costas, pega o biscó, bate no coco de cacau e o joga dentro do caçuá. Quando esse está cheio, ele, o trabalhador, despeja os frutos no chão, formando os pequenos amontoados de cacau, chamados “bandeira”. Várias bandeiras se formam por toda a roça de cacau. Depois, as bandeiras são juntadas em várias rumas e, ao lado dessas, sentam-se homens, mulheres e, às vezes, até crianças (sempre em dupla – o tirador e o cortador) e, com um facãozinho pequeno chamado bodogo, eles quebram o coco de cacau. Os caroços são postos de lado, no chão forrado com palhas de bananeiras. Quando tem bastante caroço de cacau, desce um mel delicioso e afrodisíaco; melhor do que viagra, pois o viagra cega e o mel do cacau é natural.
O trabalhador, ele pega o biscó e vai para a mata tirara cipó para fazer caçuá. Quando retorna à tarde, ele chega assustado e diz assim para a sua amada:

“Quer cipó do bom, pra fazê caçuá?
cansansão, calumbi, com que enfrentá.
Mesmo com biscó na mão,
a mata não fica rala,
e tem bicho que aparece,
não sei quase que padece,
se o sujeito perde a fala!
Passarinho e mato, faz zoada e alvoroço,
moço.
Se não regalá os zóio,
cobra monta no pescoço.
Foi num instantinho, quando o tempo
quase fecha,
e avexa, avexa,
quem é vivente silenció,
inté Zé Pré qué té,
o maior dos caçadô,
religioso, mal começô a orá
ouviu um canto que chamou: sinistro do sabiá.
E, atirô nas copa verde –
sabiá no pé de ingá,
atirô no que mexia - sabiá a caçoa;
atirô no que não via – sabiá a pirraça;
atirô no céu azul - mas sabiá num parou de cantá.
Em casa, já chegado, enfadonho, medonho,
falô pra amada:
- Qui sabiá malassombrada!
- Né, não, meu fiu. É o espírito da mata!
(VANE, Ramon.2002, p. 36)


Senhoras, senhores, jovens e crianças, eu sou o “contador de histórias grapiúnas, uma peça que está em cartaz pela região. E o que são as histórias grapiúnas?”

As histórias grapiúnas têm cheiro de cacau secado na barcaça e pilado por minha avó. As histórias grapiúnas têm cheiro de cajá, mangas, jaca e doce de carambola. Grapiúna significa ave de cor preta ou azul escuro que vive a beira d’água. Esse povo da região que mora a beira do rio Macuco, do rio Almada, do rio Cachoeira e de outros tantos rios e lagoas da região.... Esse povo que, à sua maneira, voa em pensamento, voa em busca de si mesmo. Contar as histórias grapiúnas é como retornar a minha própria história. Filho de coronel do cacau, vivi desde pequeno entre a casa grande e a miséria, entre a ostentação e a fartura. Aprendi que era preciso respeitar a terra porque dela todos nós viemos; que é preciso, também, respeitar os mais velhos, sempre, pois deles vem a sabedoria. Assim, ouvi e vivi tantas histórias. E vi as matas sendo devastadas e as coisas desaparecendo. Mas eu estou aqui e vou lhes contar uma história: era uma vez...
(LISBOA, Romualdo. Inédito)

Assisti essa história
do tempo do onça
no tempo em que o rio
não tinha cacau
e nem fruta-pão.
Só tinha quiçare
velame, cajá.
Não tinha laranja
nem tinha limão
nem pé de cacau
e nem fruta-pão.
..........................
Não corra, meu filho,
que eu sou o teu avô,
e me contou a história
e me deu esta flor.

(COSTA, Sosígenes. 2001, p. 514)

Meu Artigo


A pesquisa na Bahia

A pesquisa com os grupos musicais alternativos do, Dr. Embira, Improviso Nordestino, Mendigos Blues, Oquadro, Quizila, Mortifera, Manzua, Sambadila e Palha Assada, manifestações artísticas que representam a cultura e o modo de vida típicos da cidade de Ilhéus e Itabuna, na região sul da Bahia, vem se desenvolvendo desde fevereiro de 2009 com os primeiros contatos com a comunidade.
Antes mesmo da escolha da metodologia, foi iniciado o primeiro contato com a comunidade, que consistiu no levantamento das informações sobre estes artistas, para depois um encontro pessoal com alguns deles.
A priori, achei que o tipo de metodologia que iria utilizar, para sistematização das observações, seria o Estudo de Caso, por conta de sentir que, visualizar um circuito, era tentar entender um fenômeno social complexo. Em março de 2009, expondo as idéias do projeto em uma conversa com o professor de Radio TV Marcelo Pires de Oliveira e o estudante de comunicação Igor Schimidel, ambos da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, escutando ambas as orientações, enxerguei que, a metodologia da história oral, que mais vestia fielmente as vivencias com os pesquisados.
De acordo com a metodologia, estabeleci alguns passeios e conversas com alguns membros da comunidade, na maioria acadêmicos, que possuíam vínculos com os artistas da região. Estes encontros serviram como um primeiro contato com a comunidade e sua história, além de auxiliar na percepção das diversas redes de relacionamento e nos matizes das características dos pesquisados.
Por ser uma pesquisa participativa o pesquisador necessita conquistar a confiança dos seus colaboradores e para tal deve inserir-se na comunidade. Esta inserção é similar a pesquisa etnográfica e necessita de um período de ambientação com as fontes.
A ambientação ocorre ao longo do tempo e com as construção de laços profissionais e afetivos, que causam um certo desespero nos pesquisadores ortodoxos, pois aproxima a fonte do pesquisador no nível da intimidade.
A relação de intimidade e confiança é realizada ao longo de vários e repetidos contatos, “para que se estabeleça um clima de confiança sem o qual o trabalho é impossível, a grande quantidade de colóquios para se conseguir uma narração integral, vemos que essa técnica de estudo é das que consomem tempo e das que mais vagar e paciência requerem; o trabalho não deve ser feita de maneira intensiva – longas entrevistas para esgotar rapidamente o assunto – por que os detalhes se perdem e o cansaço do pesquisador e do informante deforma o relato”. (QUEIROZ – 1991 p. 158)
No meu caso, a pesquisa com os grupos musicais, a confiança e a intimidade foi construída naturalmente à medida que íamos nos relacionando. Não posso deixar de dizer que, o fato de também desenvolver um trabalho com música, facilitou a construção dessa intimidade. Talvez seja essa à forma que encontrei para estabelecer estas parcerias.
Esse clima de parceria e cumplicidade conduziu a um nível de relacionamento que com muita naturalidade alguns artistas interessaram-se em ajudar-me a capitar imagens para o documentário. Vejo esse interesse como forma de reivindicação por produtos comunicacionais que viessem a valorizar seu trabalho e divulgá-los para a sociedade.
Não só os entrevistados, mas também as pessoas para quem explanava as ideologias de meu projeto, pela intimidade construída, sentiam-se a vontade para me receber em suas casas e até trocar confidências a respeito das diversas relações existentes dentro da comunidade (parentesco; rivalidade e intimidades) e até mesmo sobre minhas posturas e jeitos.
Esses momentos de inconfidências, apesar de não poderem ser documentadas e nem existirem no corpo do trabalho final, foram de muita ajuda na composição de uma rede de filtros de análises que permitem, atualmente, uma abordagem menos ingênua do objeto de pesquisa, e que possibilita uma leitura mais criteriosa das entrelinhas das entrevistas concedidas. Essa nova percepção do trabalho, a pesar de não possuir, a priori, uma rigidez metodológica e uma base teórica adequada, com o passar do tempo e o crescimento do corpo de documentos gerados pelas entrevistas e os outros contatos com os colaboradores faz com que os resultados da pesquisa ao serem organizados possam assumir um caráter objetivo e criterioso que os transformam em documentos válidos e adequados para o seu uso dentro de uma produção de conhecimento cientifico.
Atenta e fiel aos princípios metodológicos, elaborei um critério de seleção. De que os grupos escolhidos para representarem, o que visualizo como circuito, teriam de ter um trabalho autoral, pois de certa forma, seriam estas composições que somariam para uma possível compreensão do contexto social da região.
Alem dos registros audiovisuais, organizei material elaborado pelos próprios artistas, do tipo release, fotos e endereços eletrônicos que viabilizava a divulgação de seus trabalhos em rede virtual. Algumas entrevistas, comentários, blogs, myspace também me serviram como documentos.
Percebi que a soma das transcrições das imagens junto às estas outras fontes de documentos colecionados, ajudariam para uma possível analise.

DR. IMBIRA E IMPROVISO NORDESTINO


Eles desenvolvem um projeto chamado Improviso, Oxente!, onde são discutidos os projetos do Teatro Popular de Ilhéus. O movimento surgiu com uma série de reuniões na Casa dos Artistas, abertas à comunidade, para discutir os problemas de Ilhéus, contando com a participação de um palestrante para cada proposta temática. Mas o que tem de "novo" é a inserção de outras linguagens, da arte, do teatro, do vídeo, da fotografia, etc., no processo de reflexão.
Tendo como primeiro tema, o projeto "Porto Sul", o movimento resolveu então, extrapolar a Casa dos Artistas para ganhar as ruas e percorrer comunidades. Assim surgiu, sua versão intinerante, reunindo professores, técnicos, artistas e o voluntariado do movimento "Ação Ilhéus", sob a coordenação dos professores Ramayana Vargens, Antonio Adolfo e do ator Romualdo Lisboa, para a promoção de eventos culturais educativos públicos.
O que mais chamou a atenção no "Improviso Oxente, Intinerante", em Serra Grande, é o povo que deve ser o principal alvo do desenvolvimento sustentável, pois a paisagem inclui as comunidades, as pessoas e a cultura.
O evento em Serra Grande ajudou a acordar para a grande carência de eventos como estes, agregados às escolas e para além de seus muros, para fazer chegar à população, os principais temas da qualidade de vida e da cidadania. A reflexão sobre o desenvolvimento e o meio ambiente, por exemplo, precisa estar na altura do povo, e não pode se restringir a um pequeno grupo da sociedade. E é em eventos próximos da comunidade, que se tira o debate dos gabinetes, para trabalhar com a população, com o sentimento das pessoas.
Dando seqüência às discussões sobre o levante dos escravos do Engenho de Santana, ocorrido em 1789, o projeto Improviso, Oxente!, da Casa dos Artistas, abordou as características econômicas da Ilhéus colonial.
A relação entre o planejamento urbano e uma possível construção do Porto Sul, no litoral norte de Ilhéus, foram o assuntos do Improviso, Oxente!
No último Improviso, Oxente!, foi entregue ao candidato a prefeito Newton Lima a proposta de criação do Programa Municipal de Fomento à Cultura, projeto de Lei que traz sugestões sobre como apoiar, manter e criar projetos de pesquisa e produção cultural. “Queremos que o setor cultural de Ilhéus avance mais. Por isso convidamos os candidatos a prefeito para apresentarem seus planos, ouvirem as propostas da classe artística e também da comunidade”, complementou o músico Cabeça, líder do Improviso Nordestino, grupo residente do espaço cultural.
Trechos das transcrições das imagens captadas
“O Dr. Imbira é uma banda de rock daqui da cidade de Ilhéus que inicio agente nesse processo de bandas de pode ter um trabalho artístico musical, e acho que Dr. Imbira surge como muitas bandas surgem na verdade, pela necessidade de se fazer música, uma musica diferente, musica original, coisas que hoje é difícil de se encontrar. Raul dizia que o rock morreu em 59 e depois de 30 anos, assim do rock feito por Raul Seixas, agente tenta fazer um rock roll também, certo, com qualidade e originalidade, então, o Dr. Imbira surgiu dessa necessidade, iai, em Ilhéus Bahia, agente tenta a todo custo sustentar essa idéia né, que é uma idéia um tanto revolucionária pro espaço local, já que não existe nenhuma forma de apoio né, já que não existe nenhuma iniciativa privada nem publica pra se apoiar nessas iniciativas vinda da música chamada alternativa, então assim, é uma coisa mesmo que agente leva nos dentes mesmo, e assim, é uma briga todo dia, é uma luta todo dia pra pode sustentar esse projeto”.



MENDIGOS BLUES

O nome da banda é devido a republica da qual faz parte ainda hoje o guitarrista Jonnie Walker ( esse nome ninguém sabe de onde veio, mas como todo mundo só conhece esse cidadão por este nome, fica assim mesmo), o produtor Marcelo Mendigo e o roadier Itakaré (esse apelido é devido a ele realmente ser da cidade de Itacaré-Ba (por sinal Lindas praias... eita lugar massa!!...hehehe)). Republica antes formados pelo Mendigo Mor (hoje é PM, por isso não vou colocar o nome) e Gazão ( 1º guitarristas dos Mendigos)... Ah e quase esquecendo, hoje é aniversario da 1º semana da imundice aqui na republica (heheheheh...tá um caos......hehehehehe). DÁ UMA CHANCE PROS MENDIGOS

Igor Schimidel
“Às vezes me perco ao ser solicitado para inícios já que a minha defasada memória faz de quase tudo que me lembro um abstrato contínuo. Quase sempre é por uma lente semelhante que paro para analisar a minha cidade e sua história recente. Fundada em 1910, como um bem sucedido pouso de retirantes, já reunindo em suas terras dezenas de roças de cacau, Itabuna teve o caminho ascendente de sua identidade, produção e economia até a década de 80, quando uma praga devastou a produtividade das suas roças. Diante do declive do cacau a maioria desta geração passou a infância. É um tanto delicado falar sobre os outros, e diante disso logo declaro que nenhuma pretensão tenho com isto, faço apenas o inevitável, me tomar por ponto de algo.

O abstrato contínuo de Itabuna foi o de uma cidade dividida entre uma herança decadente e um momento de abafamento das suas referências. No entremeio desta conjuntura local é que um grupo de amigos se habituou a fazer música nas ruas e praças, ocupando novamente um lugar ancestral nas noites da cidade. Somando vários agregados surgiu o Sebastião desatinado, grupo que se fragmentou dando origem a outros como “manzuá” e ao “mendigos blues band”. Das praças carregadas de valor para alguns palcos underground’s da cidade foi “só um pulo”. Mas neste pulo couberam uma dúzia de dezenas de boas histórias. E entre os planos e vontades tantas vezes discutido, cogitado e participados a todos quantas vezes foi exatamente um trabalho como o de Encanta Realejo o que imaginamos fazer. É de muito valor o contato que fizemos, através da Aline, com o trabalho realizado em São Paulo. Particularmente acho sensacional a iniciativa do município de auxiliar na realização da gravação da peça, embora saiba, e lamente, que normalmente este tipo de trabalho fique esquecido em um arquivo de registro qualquer. Resulta para nós completamente claro que é interessantíssima a idéia de gravar a partir do contato com artistas de outras regiões um documentário. Esta iniciativa é um serio desafio traçado por nossa recém amiga Aline e no qual todos nós nos vemos também realizados.
Ainda hoje eu considero que por aqui olhamos para o resto dos relevos nas paredes como quem mira de longe uma paisagem na qual não conseguíamos nos reconhecer. De alguma forma o trabalho de todos aqui objetiva um aprofundamento em nossa herança, ou um relato do que nos transpassa verdadeiramente. Mantendo no globalmente mundialmente difundido ao regionalmente diluído, um pulso qualquer que é mais autêntico do que qualquer pretensão de governar o sentido sonoro dos nossos grupos.
Em muitos momentos observei que o trabalho do Encanta Realejo nos atinge diretamente, ao inserir em suas performances numa diversidade de referências a sonoridade do nordeste. Agora nos esforçamos para registrar as trocas e encontros, para contribuir diretamente com o processo de realização do documentário.
As vezes penso que de qualquer forma Aline vai terminar isto, em breve, e o resultado vai compensar o esforço e empreender uma verdadeira modificação por onde passar”.
http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/Mendigosblues



OQUADRO


Se a arte é manifesto, a música é a fala. Motivada e energizada pelo desejo incessante do dizer. São palavras que constroem e solidificam informações, saciando o ensejo dos que almejam beber "da fonte". Muitos tem sede e não sabem, morrem desidratados pela falta de referências. São páginas em branco arrancadas antes mesmo que seus protagonistas aprendam a escrever. Eis então a sublime missão da música; onde o texto tem a mesma importância que as asas tem para os pássaros. Possibilitando levar suas divinas melodias muito além das fronteiras
pré-estabelecidas. Tocando profundamente gélidos corações, presenteando-os com o fervor artístico do conhecimento, que vem na exata medida para atender a nossa parca capacidade de compreender a vida.
Eis O QUADRO...
WWW.myspace.com/oquadro

QUIZILA


O Reggae é o ponto de partida, as formas de concebê-lo e interpretá-lo, permeiam os diversos inconscientes coletivos que se misturam e se completam neste universo QUIZILA. A informação, diversão e reflexão são pontos cruciais nesta caminhada musical.
A banda tem aproximadamente nove anos de correria e pé na estrada, onde diversos músicos já fizeram parte da banda até termos hoje a formação atual: ROGERIO SECÃO ( baterista), BINHO (guitarrista), FABRICIO (voz) e ANTHONY CHICA (baixista).
O estilo da banda é o reggae, difundido por artistas como: Bob Marley, Steel Pulse, Black Uhuru, Edson Gomes, Gilberto Gil dentre outros grandes, porém a Quizila além do reggae também se influencia por diversos outros estilos musicais, o que para a maioria do seu público lhe deu uma característica particular de tocar o reggae em suas composições e algumas couvers.
Nesses anos de lida a banda participou de diversos shows com grandes bandas do cenário nacional, como: Planet Hemp, ORappa, Adão Negro, Morrão Fumegante, Diamba, dentre outros, e também percorreu importantes cidades da Bahia; Salvador, Itacaré, Itabuna, Canavieiras, Serra Grande e outras, participando de shows particulares, festivais e alguns carnavais.
Apesar das dificuldades encontradas na jornada, devido a imposição dos divulgadores de massa da Bahia que nos empurram o que há de "melhor" (para eles), seguimos na correria com bastante vontade, humildade, e muita lisergia tropical para derreter as barreiras que surgem no dia-a-dia. Essa composição química-explosiva-natural está fervilhando para invadir as veias e ouvidos daqueles que estão sedentos por música de alma.
http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/quizila

PALHA ASSADA


Formado por músicos, atores e bailarinos, o grupo teatral "PALHA ASSADA" apresenta ao público infantil um espetáculo onde a diversão e o aprendizado se encontram.

Durante a apresentação, canções e histórias interativas atraem as crianças para questões sócio-educacionais relacionadas ao meio ambiente, padrões sociais e direito infantil, tudo representado de forma simples e divertida, numa atmosfera circense cheia de cores e alegria.
O grupo atua em Ilhéus há quatro anos e é composto por cinco integrantes:

A cantora e contadora de histórias Cris Passos
O "cachorrão" guitarrista, Fábio Ribeiro
A bailarina Tássia Medeiros
O palhaço "Astrobaldo", interpretado por Paulo Abreu
O saci, interpretado por Luan Jesus

Algumas apresentações do "PALHA ASSADA" contam com a participação de crianças da comunidade do Alto de São Sebastião. O local, popularmente conhecido como Outeiro, abriga o ESPAÇO CULTURAL CASA ABERTA, uma iniciativa da ASSOCIAÇÃO FILTRO DOS SONHOS em prol da arte e da cultura na cidade.


MORTIFERA



Com quatro componentes: CHINA GONZAGA (VOCIFERO) LUCAS HORA (GUITARRA), sai Dorival/entra GIVAGO (BAIXO) E LULA LOPES (BATERIA), com muito mal em suas mentes, a “MORTIFERA" tem um som rápido, sujo com guturais. passagens em gutural rasgado e com muita blasfêmia em suas letras, feito por China Gonzaga. Uma mistura de death/core, grind, thrash metal. Letras portuguesas, violência e signos anti-religiosos, compoe o cenario underground no interior da Bahia. With four components: CHINA GONZAGA (VOCIFERO) LUCAS HOURA(GUITAR), leaves Dorival/enters GIVAGO (BASS) AND LULA LOPES (DRUMS), with very badly in its minds, the “MORTIFERA” has a fast, dirty sound with guturais. tickets in gutural torn and with much blasphemy in its letters, made for China Gonzaga. One mixes of death/Core, grind, thrash metal. Portuguese letters, antireligious violence and signs, compoe the cenario underground in the interior of the Bahia.

http://www.myspace.com/mortifera666


Zé Delmo

Jequitibá Rei
José Delmo



A cidade tem todas as almas
e a alma todas as coisas que a cidade tem.
A minha memória se encerra
na copa verde do Jequitibá
eleito pela natureza
no alto da serra
e que, impassível, na sua grandeza de madeira de lei
assistiu ao primeiro navegante chegar
pelo mar azul da Capitania dos Ilhéus.
Nunca sentido o eco
do estampido seco da arma de fogo
do louco tenente Romero
contra os índios desavisados.
E como fora penoso o vôo
da última graúna,
cansada e ferida,
afogada nas águas do Rio Cachoeira,
que levavam para o mar
as penas dos pássaros
e os corpos dos índios,
expirando dos deuses de pedra dura
a palavra ita
e da mata escura
dos bichos pretos, de penas,
felinos, rasteiros e peçonhentos
a palavra una
até brotar do açoitado
Amor Divino
sergipano Felix Severino
a cidade de pedra-preta, Itabuna!

O perigo
próximo ao teu pé
derrubava as árvores da mata
onde o príncipe Maximiliano
austríaco aventureiro
preso aos lamaçais traiçoeiros
viu macucos serem abatidos
por seus famintos tropeiros.
Mais manchas de sangue
sobre as águas de outro rio
a eternizar no lugar
e no seu leito de areia lavada
o nome do pássaro tombado:
Rio e Vila Macuco.

Qual imponência,
emplumada de verde!
Era o verde!





Verde testemunha
da batalha dos nadadores,
dos traficantes catando búzios,
do verde-sumo, do mar quase anil,
repleto de naus e caravelas
transbordantes de pau-brasil.
Do rufar dos tambores
dos negros amotinados
no Engenho de Santana.
Dos quilombos e aldeias destruídas,
das catucadas mortais,
do valente cafuzo
nos holandeses de Nassau,
antes, nos franceses, com ares de tais.
Dos pontos luminosos
saltitando nas entranhas das matas
como mico-leão-da-cara-dourada.
Do pássaro Solfalá
que sumiu aos olhos dos homens
e da Lagoa Encantada fez seu habitat.
Da Vila Ferradas
ferrada na margem da veia aberta
para o coração mortal da floresta.
Dos caxixes dos coronéis,
dos jagunços em tocaia, do tombo dos inocentes,
de tanta gente chegando, matando, morrendo,
nascendo, resistindo.
Os pássaros e os índios sumindo... sumindo...
Sumindo como fora o macaco jupará,
semeando a roxa amêndoa na mata,
aprovando o cacau que os colonos
trouxeram para as terras do sem fim.

Ó Jequitibá!
Fostes invulnerável ao verde espetáculo
antes de ser poluído pela civilização grapiúna
e só quando frágeis eram teus galhos
despencastes serra abaixo’
teu tronco milenar
pondo espantados os olhos das casas
que se erguiam ao teu pé.

Sabias, ó jequitibá!
em tua rica solidão de madeira de lei
que quando as árvores, os pássaros, os índios,
os rios, os bichos,
nhoesembé, ita, una, uô,
não tinham nomes brancos,
era mais o azul do céu e o verde da mata.
Era profundo o silêncio da orquestra dos bichos...