quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Arte da Gematria - Numerologia Cabalística



Gematria é o cálculo do “peso numérico” ou equivalência numérica das letras, palavras, ou frases, e, nesta base, obter conhecimento na inter-relação de diferentes conceitos e explorar este inter-relacionamento entre palavras e idéias. O conceito fundamental da gematria é que palavras pertencentes à mesma "classe espiritual" e com “peso numérico” equivalente têm o mesmo sentido metafísico, e essa equivalência numérica não é coincidência.

Em hebraico, cada uma das 22 letras do alefbeit possui um valor numérico. Há quatro modos para calcular a equivalência das letras individuais:



* Valor Absoluto
* Valor Ordinal
* Valor Reduzido
* Valor Integral Reduzido



Valor Absoluto - ou Valor Normativo. A cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico é atribuído um valor numérico, de 1 a 900. Assim, a primeira letra alef = 1, beit (a segunda letra) = 2, e assim por diante. A décima letra, yud é numericamente equivalente a 10, e as letras sucessivas igual a 20, 30, 40, e assim por diante.

Existem cinco letras que quando vão no final da palavra podem receber (mas nem sempre recebem) uma numeração diferenciada. São chamadas letras sofit, ou formas finais. São as letras khaf [k] = 500, mem [m] = 600, nun [n] = 700, pei [p] = 800 e tzadik [tz] = 900. E alef pode ser = 1000 para completar o ciclo.



Seguindo esta forma substituta de cálculo, o alfabeto hebraico é um ciclo completo, de 1 a 1000. Temos então 22 letras + 5 letras + 1 = 28 = 10 = 1 = TODO ou TUDO.



Valor Ordinal - A cada uma das 22 letras é determinado um valor seqüencial de 1 a 22. Alef = 1, beit = 2, e assim por diante. As cinco letras sofit (finais) Kaf = 23... e tzadik final igual a 27.



Valor Reduzido - Cada letra é reduzida a um valor unitário. A letra mem [m], que vale 40, = 4, a letra shin [s-sh] que vale 300, = 3, e assim por diante. Porém, em ambos os cálculos Ordinal e Reduzido, as cinco letras cujas formas mudam quando finalizam uma palavra é geralmente equivalente aos seus valores quando elas aparecem dentro de uma palavra. Porém, a elas às vezes são determinados valores independentes. Por exemplo, o valor ordinal de nun [n] final é considerado 14 e, às vezes, 25. Do mesmo modo, seu valor reduzido é às vezes 5 e, outras vezes, 7.



Integral Reduzido - Aqui, é reduzido o valor numérico total de uma palavra a um dígito. Se a soma for, digamos 29, somam se 2 + 9 = 11,e em excedendo 9, cada unidade do total é somada repetidamente à outro (no caso 1 + 1 = 2) para produzir um valor de dígito único.







Existe ainda uma forma “especial” chamada de “enchimento” da letra, a qual não estou abordando aqui.



NOTAS - CH (letra Rhét) não é o nosso CH como em chuchu, mas algo como RR, porém pronunciado do fundo da garganta. Esse som não existe em português. É mais ou menos como se fosse pronunciar a palavra ROSNAR desde o fundo da garganta, como realmente se fosse rosnar .

- A letra G (ghimel) não é o nosso G como em Gina ou geléia, mas como em gato ou Guilherme. O som mais aproximado em hebraico como o G "suave" como em geléia é o da letra Yód.

- Som da da letra Tzadi não existe em português.

- Há duas formas de "T" em hebraico. Essa tabela está representando os T como no inglês, língua em que o T também apresenta duas formas de pronúncia.



Observar que o que é para nós a vogal Ó, aparece na tabela com duplo valor, 6 e 70 (segundo a pronúncia). Comparativamente, em português Ó pode ser pronunciado aberto ou fechado, acentuado ou não, com som de Ó ou de U. Não existem vogais em hebraico, embora, às vezes, consoantes façam o papel de vogais.

Também não existem acentos em hebraico, mas são atualmente colocados "sinais" para facilitar a leitura e lembrar o som verdadeiro, visto que o que para nós são as importantes vogais, em hebraico não existem, e quem lê introduz o som das vogais. Se a palavra TABELA (escrita aqui em português, naturalmente), fosse grafada em hebraico, seria algo como TBLA e se esta fosse uma palavra hebraica, seria transcrita em caracteres latinos do seguinte modo: TaBeLA, pois do contrário nenhum de nós conseguiria lê-la. Acrescente-se que em hebraico a palavra e a frase são escritas e lidas da direita para a esquerda - "de trás pra frente", diríamos nós - e então não seria exatamente TBLA como coloquei acima, mas ALBT. Este A, para nós aqui representando uma vogal, poderia ser outra letra que não o Aleph hebraico, supostamente entendido como a nossa vogal A, mas que muitas vezes é muda (portando não pode ser chamada de vogal, pois não existem vogais mudas no nosso alfabeto latino); poderia ser outra consoante cujo som para nós soaria A. Essa troca de som às vezes pode ser percebida em português, como por exemplo OLHO: se tomada como substantivo o primeiro Ó é fechado e o segundo Ó assume o som de U; e se tempo verbal o primeiro Ó é aberto e o segundo fechado.

Um outra troca de som visível em português, agora com uma consoante, é a letra S, que se colocada entre vogais é lida Z (José, vaso). As vogais E e O podem ser "abertas" ou "fechadas".

Um caso mais complicado em português é a letra X, que pode assumir cinco sons [Expedito (S), Xuxa (CH), Alex (CS), exílio, executar (Z)] e de C (sintaxe)]. Portanto não é nada esdrúxulo que as letras hebraicas às vezes façam o papel de vogais, e sons de consoantes sejam modificados, conforme a disposição delas na palavra, isso é natural nas línguas.

Por exemplo: o S inglês de SUGAR se lê xúgar, ou SEAN como xian.

Veja na prática como é na gematria da palavra gematria



Portanto, gematria, ou numerologia cabalística, não é essa brincadeirinha infantil que se vê em toda parte em milhares de livros e sites. Até porque Pitágoras não inventou e muito menos usou o sistema pitagórico de numerologia que leva o seu nome. Pitágoras era cabalista, conforme podemos pressentir em sua biografia

2 comentários:

  1. Olá!! como vai? em meio à algumas pesquisas, encontrei o seu maravilhoso trabalho. A forma como defende sua tese é no mínimo honrosa, visto que, diferenciada das demais. um forte abraço!!!!

    ResponderExcluir
  2. Parabéns, em poucas palavras você conseguiu explicar a complexidade de um assunto que se banaliza a todo tempo. O ato de receber a luz circundante é sério e não banal como os que querem "explicar".

    ResponderExcluir